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Avaliação da aplicabilidade da ET-EDGV aos dados geoespaciais provenientes de pesquisas brasileiras na Baía do Almirantado, Antártica Marítima
Bárbara Pereira Vidal, Luiz Felipe Velho, Denise Nobre Dal Corso

Última alteração: 22-12-2023

Resumo


Desde 1975, o Brasil é signatário do Tratado Antártico. Contudo, o país realizou sua primeira expedição à Antártica em 1982/83, marcando o início do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR). Para a manutenção das atividades brasileiras no continente antártico, o país possui infraestrutura permanente na região. Uma das estruturas brasileiras para o suporte logístico para pesquisas científicas é a Estação Brasileira Comandante Ferraz (EACF), que está localizada na Baía do Almirantado, Ilha Rei George, arquipélago das Ilhas Shetland do Sul. Dada a localização da EACF e o suporte logístico por ela desenvolvido, há uma intensa atividade científica nesta região, cujas pesquisas geram inúmeros dados geoespaciais sobre temas ambientais de fundamental importância para a interpretação e o monitoramento da Baía do Almirantado. Assim, a natureza dos dados geoespaciais gerados é diversa, não só na questão temática, mas também no que se refere à produção desses dados, considerando que nem todos pesquisadores possuem conhecimento sobre geoinformação, utilizando diferentes equipamentos, com diferentes configurações, para a coleta e para o armazenamento dos dados espaciais. Soma-se, a isso, a ausência de padronização para os dados geoespaciais, minimizando o potencial de usabilidade da geoinformação. O Brasil possui especificações técnicas para esse fim, como a Especificação Técnica para Estruturação de Dados Geoespaciais Vetoriais (ET-EDGV). Contudo, ainda não foi desenvolvido estudo para a avaliação da aplicabilidade da ET-EDGV aos dados geoespaciais gerados para a Antártica. Diante do exposto, a pesquisa desenvolvida teve como objetivo geral avaliar a aplicabilidade da ET-EDGV a um conjunto de dados geoespaciais produzido por um grupo de pesquisadores brasileiros com atividades investigativas na Baía do Almirantado. A metodologia da pesquisa envolveu duas etapas: (i) avaliação da aplicabilidade da ET-EDGV em dados antárticos brasileiros; e (ii) adaptação das especificações técnicas para contemplar as particularidades desses dados. A análise da ET-EDGV focou nos modelos conceituais relevantes para feições do mapeamento de regiões polares. Para tanto, foi elaborada uma tabela comparativa entre os dados geoespaciais antárticos e as descrições da ET-EDGV para as seguintes categorias de informação: hidrografia, vegetação, relevo e limites e localidades. Somente as categorias hidrografia (ilha), relevo (curva de nível e ponto cotado altimétrico) e limites e localidades (área especial e nome local) apresentaram aplicabilidade aos dados antárticos. Apesar da ET-EDGV apresentar a modelagem conceitual para uma infinidade de classes e subclasses de dados geoespaciais, há representações da Antártica que não constam nesta especificação técnica, como dados de glaciologia e de geomorfologia glacial, por exemplo. Compreende-se tal incompatibilidade pela ausência dessas feições no território brasileiro, não sendo necessárias tais representações no mapeamento topográfico nacional. Desta forma, é fundamental a proposição de uma padronização para os dados provenientes da pesquisa brasileira na Antártica Marítima, promovendo a usabilidade e a interoperabilidade dos dados já existentes. Espera-se, nos próximos meses, avançar nessas análises e apresentar, aos usuários e produtores das informações espaciais, uma estrutura adequada para os dados produzidos.


 


Palavras-chave


Dados Geoespaciais; Antártica; padronização de dados

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