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Programa PLA em Rede: desafios no ensino de Português para imigrantes
Felipe Antônio Gugel, Viviane Campanhola Bortoluzzi

Última alteração: 26-11-2025

Resumo


Este trabalho aborda a experiência de tutoria no Módulo 1 do projeto Programa Português como Língua Adicional (PLA) em Rede, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul. Diante do crescente número de imigrantes que o Brasil tem recebido nos últimos anos, este relato justifica-se por evidenciar como o programa contribui para a democratização do acesso à Língua Portuguesa. Os objetivos são: demonstrar a importância da disponibilização de um curso gratuito de língua portuguesa; evidenciar as dificuldades encontradas na comunicação entre tutor e estudantes; compreender os desafios no acesso da plataforma e do material do curso; e evidenciar o desenvolvimento comunicativo percebido nos estudantes. A metodologia adotada é a qualitativa e descritiva, consistindo em uma análise reflexiva da prática do tutor com base nas observações durante os encontros síncronos e registros de acompanhamento dos alunos na plataforma do curso. O PLA em Rede oferece dois módulos semestrais: o primeiro destina-se a falantes iniciantes e o segundo para falantes mais avançados. A plataforma do curso disponibiliza apostila, vídeos e exercícios que abordam temas como saudações, família, trabalho, uso do dinheiro, alimentação, meios de transporte, entre outros. Além disso, toda a semana ocorrem encontros de uma hora, via Google Meet, para que os alunos possam tirar dúvidas e realizar conversação. Na primeira turma de 2025 participaram 42 alunos nativos do Haiti, Venezuela, Uruguai, Colômbia e Egito, dos quais apenas 15 concluíram o curso com êxito. Observou-se que falantes de espanhol apresentaram maior facilidade de compreensão e maior permanência do que falantes de outras línguas. Uma possível razão das desistências está associada, além da barreira linguística, às dificuldades em lidar com recursos tecnológicos. A turma atual, do segundo semestre, é composta por 40 alunos, da Venezuela, Rússia, Nigéria, Cuba, Iêmen, Haiti, Marrocos, Estados Unidos e Indonésia, apresentando maior diversidade linguística do que a turma anterior. Como resultados, constatou-se que, ao longo do curso, os estudantes demonstraram progresso na sua capacidade comunicativa. Apesar disso, por serem oriundos de várias nacionalidades, houve dificuldades comunicativas entre o tutor e os alunos, e uma das saídas encontradas foi o uso, em alguns momentos, de palavras em inglês para servir de ponte ao aprendizado. Verificou-se que, embora procurem o curso de PLA, muitos estudantes têm necessidades linguísticas básicas e urgentes, devido à migração forçada de seus países de origem, de modo que precisariam prioritariamente de um curso de Português como Língua de Acolhimento. Dessa forma, algumas aulas precisaram ser adaptadas e o tempo semanal de uma hora mostrou-se insuficiente. Conclui-se que o projeto possui relevância social e acadêmica significativa, promovendo a inclusão linguística e a integração social de imigrantes. Além disso, contribui para a formação docente ao proporcionar experiências práticas de ensino em contextos multilíngues e multiculturais.

 


Palavras-chave


Imigrantes; Português como Língua Adicional; Internacionalização.

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