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Diferentes perspectivas sobre o cinema independente brasileiro: análise dos curtas-metragens “Aruanda” e “A Morte Branca do Feiticeiro Negro”
Última alteração: 11-12-2025
Resumo
O presente trabalho está vinculado ao projeto de pesquisa “A produção de curtas-metragens latino-americanos do século XXI como forma de descolonização cultural” (FAPERGS/IFRS), vinculado ao grupo de pesquisa Audiovisual Latino-Americano no século XXI - OfCine (CNPq-IFRS), desenvolvido no Núcleo de Produção Audiovisual OfCine (IFRS). O objetivo do trabalho é observar a multiplicidade em termos de discurso, linguagem, estética contempladas pelo cinema independente brasileiro através de uma análise comparativa dos curtas-metragens Aruanda, de Linduarte Noronha, e A Morte Branca do Feiticeiro Negro, de Rodrigo Ribeiro. O trabalho foi desenvolvido a partir da leitura de livros e artigos que dizem respeito à trajetória do cinema brasileiro, seus movimentos, influências, características técnicas, de produção e linguagem. Posteriormente, foram catalogados e assistidos alguns curtas-metragens brasileiros que, intencionalmente ou não, divergem das normas padrões do cinema de indústria nacional e estrangeiro no período em que foram produzidos e exibidos. Por fim, foram selecionados dois curtas-metragens produzidos em diferentes períodos do cinema brasileiro para serem analisados comparativamente. Quanto às obras selecionadas, destaca-se primeiramente que ambas, apesar dos 60 anos que as separam, trazem consigo o objetivo de trazer à tona a vida de sujeitos marginalizados e esquecidos pela sociedade brasileira. Contudo, se Aruanda opta por uma linguagem mais clássica, influenciada pelo neorrealismo italiano e pelo documentário tradicional, A Morte de Branca do Feiticeiro Negro utiliza-se da montagem e de imagens de arquivo para denunciar o apagamento racial que acomete o imaginário da população negra brasileira, negando uma abordagem mais jornalística, a exemplo do curta de Noronha. Outra distinção evidente está relacionada à produção dos filmes, uma vez que Aruanda é produto de uma época onde a representatividade negra era inexistente nas equipes de cinema, o que, fora as limitações técnicas do período, pode explicar o desinteresse em agregar individualidade para os personagens que protagonizam a obra, deixando evidente um distanciamento entre produção e o tema abordado que não existe no outro filme, que é dirigido por um cineasta negro, sendo a ausência de qualquer fala no decorrer do filme explicada pela ausência de qualquer registro da existência das pessoas que aparecem nos arquivos para além do visual e, no caso de Timóteo, de sua carta. Por fim, cabe afirmar a importância de um cinema brasileiro plural, capaz de valorizar as diversas potencialidades que a sétima arte pode atingir em termos de expressão, linguagem, estética e narrativa, não permitindo que a influência do cinema estrangeiro, sobretudo norte-americano, produza um cinema homogêneo e desconectado da realidade social local, sendo essencial a existência de cineclubes, cinematecas, mostras e festivais, além de jornalistas, críticos e pesquisadores que deem visibilidade para o cinema independente brasileiro.
Palavras-chave
Curta-Metragem; Análise; Independente.
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