Última alteração: 10-12-2025
Resumo
O projeto de pesquisa “Farmacologia Ancestral, no Quilombo do Limoeiro: Saberes Quilombolas e Popularização Científica no Rio Grande do Sul” trata-se de um estudo sobre os conhecimentos fitoterápicos populares da comunidade quilombola do Limoeiro - Bacupari, Palmares do Sul/RS e suas possíveis contribuições para a farmacologia. Seu principal objetivo é conhecer o uso de plantas medicinais por essa comunidade tradicional, contribuindo para sua desmistificação e difusão entre a comunidade científico-acadêmica no Rio Grande do Sul. Para a realização desta investigação, inicialmente procederemos à aproximação com a comunidade quilombola do Limoeiro, por meio de visitas guiadas pelas lideranças locais e entrevistas semi-estruturadas com os habitantes, com vistas a conhecer e listar as principais plantas medicinais utilizadas e os supostos efeitos e benefícios por eles relatados. Após, será destacada a planta mais frequentemente mencionada e através de um levantamento bibliográfico será caracterizada sua utilização histórica, assim como a caracterização físico-química e bioquímica. Por fim, a última etapa da pesquisa consistirá na realização de um estudo clínico voluntário com os moradores do Quilombo do Limoeiro, com a supervisão e orientação de profissionais da saúde, para testar os efeitos terapêuticos por eles mencionados e sua possível relação com o manejo de questões de saúde naquele contexto. A relevância desta pesquisa encontra-se na sua contribuição para a efetivação da Lei 10.639/2003, da Política de Ações Afirmativas do IFRS, da Resolução RDC nº 18, de 3 de abril de 2013 e da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF). Além disso, ela oportuniza o protagonismo de discentes e servidores negros do IFRS campus Osório, fomenta a parceria entre diferentes instituições de ensino e setores da saúde, além de valorizar os conhecimentos tradicionais quilombolas. A pesquisa está em fase inicial, tendo sido realizadas reuniões de alinhamento entre as instituições parceiras, uma visita à comunidade quilombola do Limoeiro, para identificação das plantas cultivadas e utilizadas no quilombo, e participação no I Seminário Internacional de Saúde Indígena, realizado na UFRGS. Como resultados iniciais, concluímos que comunidades tradicionais, como as quilombolas, tendem a utilizar produtos originários de suas plantações como uma primeira opção para tratamento de enfermidades antes de recorrer ao tratamento com medicamentos comerciais.