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Produção de tintas naturais: uma abordagem prática para o Ensino de Ciências da Natureza.
Gabriel da Silva Luz, Cassiano Pamplona Lisboa

Última alteração: 10-12-2025

Resumo


Este relato descreve a Oficina de Tintas Naturais desenvolvida pelos bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) do Curso de Licenciatura em Ciências da Natureza do IFRS – Campus Porto Alegre, realizada na Escola Municipal de Ensino Fundamental Décio Martins Costa, articulando arte, ciências da natureza e educação ambiental. As tintas naturais são produzidas a partir de pigmentos extraídos de minerais, plantas e animais e, diferentemente das tintas sintéticas, causam menos impactos ambientais para sua produção e descarte. A oficina teve como objetivo proporcionar aos estudantes contato com os pigmentos naturais, discutir suas origens, usos e significados culturais, além de promover a reflexão sobre sustentabilidade e biodiversidade. A metodologia incluiu a produção de pigmentos extraídos de plantas, como pó de café, canela em pó, sementes de urucum, casca de beterraba e folhas verdes encontradas no jardim da escola. As folhas, as sementes e as cascas selecionadas foram maceradas e, depois disso, diluídas com um pouco de água e cola, assim como o café e a canela. A atividade que havia sido elaborada apenas para uma turma de oitavo ano do ensino fundamental, devido às condições climáticas do dia de sua aplicação (chuvas e ventos intensos), acabou sendo realizada com estudantes do sexto, sétimo, oitavo e nono ano, todos juntos, constituindo-se um grupo multi-seriado com 30 alunos. Em razão disso, fez-se necessário adaptar o planejamento da oficina em função da quantidade de materiais disponíveis para a realização da prática. A fim de que todos os participantes pudessem ter a experiência de produzir, pelo menos, uma arte com todas as cores, foram testadas diferentes diluições dos pigmentos. Como resultados, observou-se grande receptividade e envolvimento dos alunos, que reconheceram a maioria das plantas utilizadas para pigmentação das tintas, com exceção das sementes do Urucum (Bixa orellana L.), planta nativa do Rio Grande do Sul muito utilizada pelos povos indígenas para pinturas corporais e fins espirituais, além de proteger contra a radiação solar e agir como repelente de insetos. O Urucum também é empregado na alimentação, como condimento, normalmente comercializado em pó e com o nome de colorau. Alguns estudantes reconheceram o nome do tempero, mas nunca haviam visto o fruto que o origina. A partir desta experiência, conclui-se que a tinturaria natural pode atuar como uma ótima ferramenta de educação ambiental, bem como no ensino de Artes e Ciências da Natureza, uma vez que propõe uma aproximação dos alunos à natureza e seus usos, sensibilizando-os para a conservação da biodiversidade, além de resgatar a sabedoria ancestral dos povos originários.

Palavras-chave


tintas naturais, pibid e educação ambiental

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