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A cultura maker nos processos de ensino e aprendizagem: inserção, contribuições e desafios para a Educação Profissional e Tecnológica
Jonatan Marguti Pereira, Aline Grunewald Nichele

Última alteração: 10-12-2025

Resumo


Este trabalho aborda a Cultura Maker (CM) como um catalisador para a aprendizagem significativa, em contraposição a modelos puramente mecânicos, ao promover a interação não literal e não arbitrária entre conhecimentos prévios e novos. Seu principal objetivo é relatar a inserção, as contribuições e os desafios das práticas de ensino e aprendizagem desenvolvidas em espaços maker dentro de instituições de ensino, com foco particular na Educação Profissional e Tecnológica (EPT). A pesquisa fundamenta-se na perspectiva da formação humana integral, que busca superar a histórica divisão entre o pensar e o fazer, característica da organização do trabalho, e que visa à integração das dimensões cognitivas, práticas, éticas, estéticas e sociais da existência humana no processo educativo, visando o desenvolvimento completo e harmonioso do indivíduo. A Cultura Maker, enraizada na filosofia do "faça você mesmo", alinha-se a essa visão emancipadora ao fomentar a inovação, criatividade e autonomia dos estudantes através de pilares como criatividade, colaboração, sustentabilidade e escalabilidade, que promovem a resolução inovadora de problemas e o trabalho em equipe. A metodologia consistiu em uma pesquisa bibliográfica que selecionou oito dissertações e seis artigos da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e do portal de periódicos da CAPES, focados em práticas educativas envolvendo a CM, analisando público-alvo, métodos, singularidades, dificuldades e cuidados. Os resultados indicam que a Cultura Maker oportuniza um percurso educacional onde o estudante é protagonista, construindo conhecimento ativamente por meio da experimentação e criação, e promovendo a interdisciplinaridade e o trabalho colaborativo. A CM apresenta similar inserção no Ensino Médio Integrado e Fundamental, mas o Ensino Médio em geral é o nível com maior presença de atividades relacionadas. As temáticas predominantes incluem sustentabilidade, robótica, programação e eletrônica, alinhadas diretamente ao conceito de formação humana integral. Embora Ciências e Informática sejam as disciplinas mais recorrentes, a CM facilita a integração com outras áreas como Artes, Física, Matemática, Química e Geografia. Aspectos comuns entre os trabalhos analisados incluem a aprendizagem ativa e protagonismo do aluno, a promoção da criatividade e inovação, o desenvolvimento de habilidades para o século XXI (colaboração, comunicação, pensamento crítico), a integração de tecnologia, contextualização, abordagem lúdica e experimental, o fomento à colaboração, o uso de Makerspaces/FabLabs, feedback positivo e engajamento dos alunos, e a conscientização social e ambiental. Apesar dessas vantagens, a implementação da CM enfrenta desafios significativos, como a necessidade de superar problemas de infraestrutura tecnológica (espaço, materiais, equipamentos), a carência de formação continuada para professores e a dificuldade em comprovar a eficácia da abordagem devido a poucos estudos. Outros contrapontos importantes são a falta de integração efetiva com o currículo escolar e a necessidade de suporte financeiro. As conclusões destacam que, para o avanço da cultura maker na formação humana integral, é fundamental ir além dos desafios de infraestrutura, investindo na capacitação contínua dos educadores, garantindo a integração curricular significativa das atividades e um olhar atento às vivências sociais e emocionais dos estudantes e ao contexto escolar.

Palavras-chave


Formação Integral; Cultura Maker; Práticas de ensino.

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