Portal de Eventos do IFRS, 10º SALÃO DE PESQUISA, EXTENSÃO E ENSINO DO IFRS

Tamanho da fonte: 
Controvérsias em torno da legalização da cannabis no Brasil: revisão bibliográfica e perspectivas comparativas com o álcool
Renata Blomer do Rosário, Getúlio Sangalli Reale, Amanda Coelho Schaider

Última alteração: 11-12-2025

Resumo


A presente pesquisa integra o projeto Controvérsias em torno da formação de um mercado legal de Cannabis no Brasil: situação atual e perspectivas, desenvolvido no âmbito do IFRS Campus Alvorada. O estudo parte da constatação de que, enquanto o álcool é amplamente aceito e regulamentado, a cannabis permanece ilegalizada no país, embora estudos apontem que seus impactos individuais e sociais sejam, em muitos aspectos, menos nocivos que os do álcool. Tal discrepância evidencia contradições de ordem social e política, justificando a relevância de analisar criticamente os discursos e saberes que sustentam a proibição da cannabis. No contexto brasileiro, essa ilicitude não pode ser dissociada de uma lógica histórica de controle social, em que a criminalização se mostra articulada a perspectivas racistas, associando-a à população negra e periférica. Mais do que um simples dispositivo legal, a proibição operou como mecanismo de silenciamento e perpetuação de desigualdades, relegando a cannabis a um lugar de tabu enquanto o álcool, substância de maior aceitação social, se consolidou como parte legítima da cultura nacional. A partir dessas perspectivas, nosso objetivo consiste em compreender como a literatura científica atual problematiza os efeitos da cannabis em comparação ao álcool, considerando dimensões de saúde pública, estigmas sociais e políticas de regulação. Para isso, a metodologia adotada baseou-se em uma revisão bibliográfica narrativa a partir do fichamento de artigos acadêmicos nacionais e internacionais, organizados em categorias como impactos individuais, efeitos sociais, saúde mental, usos terapêuticos, riscos e benefícios. Como resultados parciais, verificou-se que a literatura evidencia menor potencial de dependência e de danos sociais associados à cannabis em relação ao álcool, além de apontar possibilidades de uso medicinal em expansão. O álcool mostra-se como principal causador de doenças no mundo conforme os estudos de Rehm (2009), Roercke (2012) e Carniglia (2019), superado apenas por doenças sexualmente transmissíveis e comorbidades na infância (Rehm, 2011).  Contudo, a cannabis permanece proibida, em pleno contraste com a naturalização do álcool. Estas contradições reforçam a necessidade de ampliação do debate público e acadêmico acerca da regulamentação da cannabis no Brasil. Concluímos que a pesquisa contribui para tensionar a assimetria entre substâncias lícitas e ilícitas ao promover reflexões críticas fundamentadas em dados científicos, ao invés de crenças populares. Os resultados obtidos oferecem suporte para futuras etapas do projeto, incluindo iniciativas de divulgação científica junto à comunidade interna e externa do campus através do meio audiovisual, em forma de documentário, com vistas à construção de um conhecimento mais acessível e socialmente relevante.

Palavras-chave


cannabis, álcool, tabu

Texto completo: PDF