Última alteração: 22-12-2025
Resumo
O presente projeto de extensão tem como foco a aplicação da Justiça Restaurativa junto a mães atípicas, especialmente aquelas que vivenciam a maternidade de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista. O tema surge da necessidade de fortalecer redes de apoio e criar espaços comunitários de escuta e acolhimento, diante do problema recorrente da sobrecarga emocional e da fragilidade de vínculos sociais e familiares enfrentados por essas mulheres. A motivação central do trabalho encontra-se no reconhecimento de que a maternidade atípica frequentemente se dá em condições de invisibilidade social e institucional, sendo essencial propor práticas que promovam inclusão, pertencimento e fortalecimento comunitário. O objetivo principal é implementar círculos de construção de paz inspirados na Justiça Restaurativa, de modo a favorecer o diálogo, a partilha de experiências e o protagonismo das mães atípicas na construção de soluções coletivas. A metodologia adotada fundamenta-se no uso dos círculos restaurativos como prática estruturante, desenvolvidos em encontros presenciais periódicos nos quais as mães e familiares são convidados a compartilhar suas trajetórias em um ambiente seguro, colaborativo e livre de julgamentos e humanizado. Até o momento, os resultados parciais indicam que a prática em círculos fortalece o sentimento de pertencimento e reconhecimento das participantes, além de proporcionar um espaço de acolhimento das emoções. Um aspecto de grande relevância foi a presença dos filhos das participantes nos encontros, incluindo crianças e adolescentes. Alguns adolescentes autistas, sentindo-se acolhidos no espaço circular, compartilharam relatos sobre emoções, sensações e desafios de sua vida cotidiana, mencionando desde dificuldades de inclusão escolar até experiências no convívio social mais amplo. Esse momento foi destacado pelas mães como surpreendente, uma vez que, em muitos casos, a comunicação no contexto da maternidade atípica se apresenta comprometida ou limitada. Conclui-se que a experiência até aqui demonstra que os Círculos de Construção de Paz, integrados à Comunicação Não Violenta e fundamentados na Justiça Restaurativa, constituem uma estratégia eficaz para a humanização do atendimento a mães atípicas. A prática proporcionou acolhimento, escuta qualificada e o fortalecimento dos vínculos entre mães e filhos, além de impulsionar a construção de redes de apoio comunitário. Além disso, aponta para a necessidade de institucionalização de práticas restaurativas em espaços escolares, comunitários e de saúde, reconhecendo a potência das mães atípicas como protagonistas sociais. A aplicação dessa metodologia, também se insere em um horizonte mais amplo de promoção da inclusão, da equidade e da justiça social.