Portal de Eventos do IFRS, 10º SALÃO DE PESQUISA, EXTENSÃO E ENSINO DO IFRS

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Narrativas silenciadas: as marcas escravocratas na temporalidade do município do Rio Grande/RS
Valléria Fagundes Siqueira, Rozele Borges Nunes

Última alteração: 09-12-2025

Resumo


O presente trabalho está vinculado ao projeto “Geo(grafias) do vivido”, desenvolvido no IFRS campus Rio Grande no ano de 2025, o qual busca aproximar o ensino de Geografia da realidade dos alunos por meio da valorização das trajetórias singulares e das narrativas historicamente silenciadas. A pesquisa justifica-se pela necessidade de promover a consciência crítica sobre a formação socioespacial do município do Rio Grande/RS, destacando a presença de desigualdades persistentes e a importância de reconhecer as narrativas das populações subalternizadas. O objetivo central consiste em investigar o passado escravocrata local, analisando registros históricos de pessoas escravizadas, com a finalidade de relacionar essas informações com a configuração atual do espaço urbano, possibilitando que os estudantes reflitam sobre continuidades e transformações na cidade, as quais possibilitam compreender o impacto histórico das transformações urbanas e das práticas de exclusão social. A metodologia adotada envolveu pesquisa documental no acervo da Biblioteca Rio-Grandense, com a consulta em registros de compra, venda, óbitos e fugas de pessoas escravizadas, no período de 1848 a 1852. Estes dados coletados manualmente e organizados em planilhas para sistematização e análise comparativa. Além disso, houve estudo em mapas históricos, com intuito de correlacionar os espaços ocupados no passado, com as áreas urbanas contemporâneas, articulando temporalidade e espacialidade, com a finalidade de compreender as estratégias de resistência e de controle social presentes nas fugas registradas. Os resultados parciais evidenciam que o comércio de pessoas escravizadas estava concentrado em áreas históricas e centrais do município, revelando a relação entre espaço urbano e desigualdades estruturais, bem como o protagonismo dos indivíduos na luta por liberdade. A sistematização dos dados em tabelas e a análise espacial demonstram que a Geografia pode subsidiar reflexões críticas sobre permanências sociais e históricas e ampliar a compreensão dos estudantes sobre a construção socioespacial do território. Como conclusão, o trabalho reforça a relevância da abordagem descolonial, ao integrar memória, espaço e temporalidade, fortalecendo o protagonismo discente e contribuindo para a formação de sujeitos críticos e atuantes. A pesquisa evidencia que reconhecer experiências singulares e narrativas silenciadas possibilita ressignificar o ensino de Geografia, promovendo a valorização da diversidade cultural e a construção de novas formas de pertencimento no ambiente escolar.

Palavras-chave


Ensino Descolonial; Temporalidade; Escravizados.

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