Última alteração: 11-12-2025
Resumo
Este trabalho apresenta resultados parciais de uma pesquisa inspirada na “Teoria da Ação” de Alfred Schütz, que busca compreender como as escolhas individuais conduzem por determinados caminhos e atribuem significado a seus objetivos. O foco é investigar os percursos que levam alguém a procurar uma instituição de ensino para aprender música, oferecendo uma visão mais sensível e abrangente da Educação Musical e do contexto dos participantes. A pesquisa adota metodologia qualitativa, com entrevistas a estudantes de música do IFRS – campus POA. As respostas foram analisadas e codificadas para compreender mais profundamente a realidade dos estudantes. Aqui apresentamos os relatos de Bonnie e Elisabô, trajetórias distintas que se encontram no Projeto Prelúdio (curso de extensão em música, IFRS/POA), espaço de fortalecimento de suas vivências. Bonnie cresceu em um ambiente em que a música fazia parte do cotidiano e da família, tendo como primeira referência as rodas de samba frequentadas pela mãe. Na infância e adolescência, experimentou bateria, piano, guitarra e canto, mas sempre de forma breve e sem continuidade, até que no Prelúdio estabeleceu pela primeira vez uma relação consistente com o violão. Elisabô, por outro lado, sempre esteve ligada ao estudo formal da música: iniciou com flauta doce na escola, depois dedicou-se ao piano, frequentou a Casa da Música para aprender flauta, retornou ao piano e, por fim, ingressou no Prelúdio. As motivações revelam diferenças: para Bonnie, tocar é prazer pessoal, dá sentido à rotina, sem pretensão de reconhecimento ou carreira. Para Elisabô, a música se liga à realização pessoal e profissional, configurando-se como vocação. Assim, ambas planejam permanecer no Prelúdio até o limite de idade, mas com perspectivas distintas: Bonnie deseja seguir tocando por conta própria, enquanto Elisabô tem objetivos claros de buscar outras instituições e cursar graduação em Música. Bonnie valoriza o Prelúdio não apenas pelo acesso à música, mas pela sensação de pertencimento, um espaço de oportunidade. Já para Elisabô, ele confirma seu progresso e integra seus planos de seguir carreira. A trajetória de Bonnie mostra como a música pode assumir papel de bem-estar, identidade e prazer no cotidiano, sem necessariamente estar vinculada à profissionalização. Já a de Elisabô evidencia a música como projeto de vida, construído desde cedo em instituições formais. São duas pessoas com ações e projetos distintos, mas que se encontram no mesmo espaço institucional: o Prelúdio. Como projeto de extensão que oferece educação musical gratuita à comunidade, ele se mostra capaz de sustentar tanto percursos pessoais, integrais e não profissionalizantes, quanto trajetórias voltadas à carreira. Assim, o estudo institucional da prática musical pode assumir funções diversas na subjetividade e na vida dos indivíduos, mesmo quando compartilham sala de aula e ensino, já que cada sujeito atribui sentidos singulares à experiência.