Última alteração: 22-12-2025
Resumo
O Papilomavírus Humano (HPV) é um vírus altamente contagioso, transmitido principalmente por via sexual, associado a diversos cânceres — colo do útero, orofaringe e pênis — e a verrugas genitais. A vacinação é crucial para a saúde pública, sobretudo antes do início da vida sexual, pois protege contra as cepas mais relacionadas a esses cânceres. No Rio Grande do Sul, o cenário é crítico: 40% das meninas e mais de 70% dos meninos não concluíram o esquema vacinal. A ação proposta justifica-se pela persistente desinformação que vincula a vacina à iniciação sexual precoce e pelos benefícios sociais e econômicos de prevenir cânceres evitáveis que afetam, sobretudo, mulheres jovens. Relatos das salas de vacina de Parobé apontam a desinformação — em especial o mito de que a imunização estimula o início da vida sexual — como principal barreira. Essa lacuna informacional reforça a necessidade de uma ação extensionista que leve conhecimento científico, dialogue com estudantes e facilite o acesso à vacinação. O objetivo geral é contribuir para elevar a cobertura vacinal contra o HPV nos municípios do Vale do Paranhana (Parobé, Taquara e Rolante), por meio de ações educativas, mobilização comunitária e articulação entre o IFRS, escolas básicas e secretarias de saúde. Especificamente, busca-se (i) diagnosticar conhecimento e situação vacinal em escolas públicas; (ii) sensibilizar estudantes e responsáveis com rodas de conversa e conteúdo multimídia em redes sociais; e (iii) mobilizar mutirões de checagem vacinal junto às secretarias municipais de saúde. A metodologia adota pesquisa-ação participativa em quatro etapas encadeadas: planejamento colaborativo, diagnóstico prévio com questionários, intervenção educativa e avaliação pós-intervenção, com análise estatística no PSPP e produção digital no perfil do Instagram @vacinasdohpv. Entre julho e agosto de 2025, aplicaram-se questionários diagnósticos em três escolas: IFRS – Campus Rolante (ensino médio) e duas escolas de ensino fundamental com turmas de 8º e 9º anos — Frei Miguelinho (Rolante) e Idalino Pedro da Silva (Parobé) — totalizando 398 respostas. Os resultados indicam que cerca de dois terços dos respondentes não se lembram se tomaram a vacina ou não a tomaram; quase 70% definiram corretamente o HPV; menos da metade concorda que a vacina não incentiva a iniciação sexual; e mais de 40% dos não vacinados deixaram de receber o imunizante por desconhecer sua necessidade. Esses achados evidenciam lacunas de conhecimento e orientam as ações de esclarecimento. Com base neles, oficinas de intervenção estão sendo realizadas nas turmas do ensino médio do IFRS – Campus Rolante e nas turmas de 8º e 9º anos das escolas Frei Miguelinho (Rolante) e Idalino Pedro da Silva (Parobé).