Última alteração: 09-12-2025
Resumo
A presença de pessoas negras na formação histórica, cultural e econômica do Rio Grande do Sul não se reflete na imagem e na identidade dominante do gaúcho, frequentemente associada à cultura europeia. Esse desencontro resulta de um longo processo de colonização e do projeto de branqueamento, que contribuíram para o apagamento sistemático da memória negra, desde os registros oficiais até a representação nos conteúdos didáticos, criando uma percepção coletiva distorcida sobre quem compõe o povo gaúcho. A partir das atividades desenvolvidas no Projeto Afrocientista, como a análise do episódio “Democracia”, do podcast Projeto Querino, e a leitura do texto “Tem cor na História: Tem cor no Ensino”, surgiu o interesse pela temática ao evidenciar uma realidade de resistência e protagonismo raramente abordada pela história oficial. Esses materiais destacam o papel fundamental das lideranças negras e das comunidades quilombolas na construção da democracia brasileira, evidenciando a urgência de revisitar a narrativa histórica regional. O objetivo desta pesquisa é investigar de que modo o processo de branqueamento e o apagamento histórico da população negra impactaram a construção da identidade do Rio Grande do Sul e como tais efeitos ainda reverberam no presente. A metodologia adotada consiste em pesquisa bibliográfica com enfoque crítico-analítico, contemplando autores como Oliveira Silveira, que defende a valorização da identidade afro-gaúcha, e Luiz Silva, autor de “Quem tem medo da palavra negro”, que denuncia o silenciamento institucionalizado e o racismo estrutural presentes nas práticas sociais e educacionais. Essa abordagem permite evidenciar tanto as permanências quanto as rupturas nas representações sobre a população negra no estado. Como resultados parciais, identifica-se que a invisibilização histórica compromete a compreensão da pluralidade cultural do Rio Grande do Sul, reforça estereótipos excludentes e contribui para a naturalização da hegemonia eurocêntrica. Espera-se que este estudo contribua para questionar narrativas hegemônicas, fortalecer iniciativas de reparação simbólica e ampliar o reconhecimento da população negra como parte essencial da formação social e cultural da região. Conclui-se que compreender os efeitos do apagamento histórico e do branqueamento não é apenas exercício acadêmico, mas um passo necessário para a construção de uma sociedade verdadeiramente plural e democrática, comprometida com a valorização das trajetórias que compõem a identidade coletiva do Rio Grande do Sul.