Última alteração: 11-12-2025
Resumo
Uma das estratégias promissoras de mitigação dos problemas de pH elevado e baixa acidez em vinhos é a bioacidificação por meio da utilização de leveduras Lachancea thermotolerans. Porém, existem ainda lacunas sobre o comportamento desta levedura diante de produtos fitossanitários residuais encontrados mosto, oriundos de aplicações no vinhedo. Estes produtos, especialmente fungicidas, aplicados em períodos próximos a colheita, podem ter consequências na vinificação, mesmo que aplicados racionalmente e com respeito as doses e épocas. Assim, o objetivo desta investigação foi avaliar os efeitos da presença destes fungicidas sobre a cinética fermentativa no mosto. As uvas foram provenientes da estação experimental do IFRS-BG. A fermentação alcoólica do mosto ocorreu a 20°C utilizando-se de levedura comercial Lachancea thermotolerans. Os resultados foram representados graficamente pela perda de massa devido à produção de gás carbônico (CO2) em função do tempo. Os dados foram analisados de acordo com o ajuste sigmoidal não linear da equação dos cinco parâmetros logísticos, onde os seguintes parâmetros cinéticos foram avaliados: Vmax - velocidade máxima de produção de CO2 em função do tempo (g L-1 h-1); tLag - tempo da fase de latência para a produção de CO2 (h) e Ymax - produção máxima de CO2 (g L-1). O delineamento experimental adotado foi inteiramente casualizado, constituído de cinco tratamentos realizados em triplicada, sendo testados quatro princípios ativos, Tiofanato Metílico (TME), Captana (CAP), Difenoconazol (DIF), Cobre, e um tratamento controle, sem adição. A escolha da dose de fungicidas adicionados deu-se por meio de revisão bibliográfica e consulta ao Limite Máximo Residual da legislação, sendo adotada a concentração de 0,7 mg L-1 de princípio ativo para TME e DIF, 1 mg L-1 para a CAP e 15 mg L-1 para o Cobre. Os dados foram avaliados pela análise de variância seguido do teste Tukey (p<0,05). TME não diferenciou estatisticamente do controle. O tLag foi afetado pelo Cobre, DIF e CAP, tendo mais que dobrado para todos os tratamentos em relação ao controle (21h). O Vmax apresentou alteração devido a presença de Cobre e especialmente DIF, que reduziu em mais de 45% em relação ao controle (1,0 g L-1 h-1). Quanto Ymax, a presença de CAP e DIF promoveram arraste e parada fermentativa, não finalizando a fermentação após 10 dias. Nesta investigação todos os fungicidas, exceto TME, influenciaram negativamente as variáveis observadas, salientando a importância do uso correto dos fungicidas, respeitando doses e momento de aplicação.