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Circuitos de Produção e Círculos de Cooperação no Setor Silvicultura-Celulose no Rio Grande do Sul
Gabriela Cardoso Brandão, Jefferson Rodrigues dos Santos

Última alteração: 11-12-2025

Resumo


A crise econômica de 2008 impactou três grandes empresas de celulose que estavam presentes no Rio Grande do Sul, resultando na adoção de uma estratégia financeira que incluiu a venda de áreas florestais e fábricas. Parte dessas terras foi adquirida pela Celulose Riograndense (CMPC), empresa de capital chileno. Torna-se então inevitável discutir a silvicultura no estado sem destacar a atuação da CMPC e sua influência no uso do território. Em estudos anteriores mostrou-se que a empresa utiliza a terra como estratégia de apropriação para evitar concorrentes (land grabbing). Quais outras estratégias são utilizadas pela empresa desde a sua instalação? A presente pesquisa objetiva compreender e analisar a influência dessa única empresa na configuração territorial gaúcha. A metodologia empregada na pesquisa constitui-se de um estudo de caso baseado em revisão de literatura e pesquisa documental, caracterizada por leitura teórica, relatos do setor a partir de outros autores e análise documental. Como referencial teórico, parte-se da relação entre a força de trabalho e a dimensão espacial de atuação, que variam conforme a capacidade das empresas de transformar seus produtos em fluxos, os circuitos espaciais de produção e os círculos de cooperação como proposto por Milton Santos. Entre essas etapas, está a organização territorial da empresa. No caso da CMPC, destaca-se o projeto Natureza, desenvolvido em 2024 em parceria com o governo do Rio Grande do Sul. Um dos principais objetivos desse projeto é a duplicação da BR-290, transformando-a no que podemos chamar de “eixo do eucalipto” destinado à exploração da silvicultura ao conectar a planta industrial da região metropolitana de Porto Alegre com as Regiões Centro Oriental e Centro Ocidental Riograndenses. Essa iniciativa busca otimizar o transporte terrestre da produção, aliada com a aquisição de caminhões que possuem novas tecnologias, permitindo tráfego noturno e redução de custos. Além disso, a empresa usa o transporte hidroviário que liga a fábrica em Guaíba com os portos de Pelotas e Rio Grande. Os círculos de cooperação fazem parte das várias etapas de cada processo, visando o fortalecimento e o alcance do setor a partir de uma rede de atores privados e públicos. Nesse sentido, inovações biotecnológicas tornam-se uma estratégia da CMPC. Em 2023, a empresa desenvolveu um novo híbrido do gênero Corymbia, com maior produtividade de celulose por área e menor tempo de colheita. Já em 2024, lançou um programa de pesquisa e desenvolvimento para a criação de espécies de eucalipto mais resistentes às mudanças climáticas, garantindo, segundo a própria empresa, uma vantagem competitiva no setor. Assim, observa-se que a CMPC adota práticas complementares e sofisticadas, como a organização espacial por meio da logística, conexões com outras instituições e o investimento em biotecnologias para ampliar sua influência na organização territorial e no aprimoramento da produção.


Palavras-chave


Silvicultura;Organização territorial;Circuitos espaciais de produção e círculos de cooperação.

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