Portal de Eventos do IFRS, 10º SALÃO DE PESQUISA, EXTENSÃO E ENSINO DO IFRS

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Relato de experiência de monitoria em inclusão digital em aulas de inglês em escola estadual
Demétrio Ramos Viegas, Roger Gonçalves Urdangarin, Rafaela Fetzner Drey

Última alteração: 10-12-2025

Resumo


A crescente digitalização da sociedade tem evidenciado não apenas novas possibilidades de acesso à informação, mas também profundas desigualdades ao acesso e uso das tecnologias (CETIC.br, 2024). Neste sentido, muitos brasileiros ainda enfrentam a realidade de exclusão digital em nosso país, o que limita sua oportunidade à educação, ao trabalho e à participação social. Assim, a inclusão digital configura-se como elemento essencial na redução das desigualdades tecnológicas, ampliando o acesso a recursos e experiências que fortalecem a formação educacional dos estudantes. Uma das formas de promover essa inserção está vinculada à atuação de monitores em projetos educacionais, pois eles desempenham papel importante na mediação do conhecimento e no apoio ao uso das tecnologias. Como destaca Friedlander (1984, p. 113) “[...] monitor é o estudante que, interessado em desenvolver-se, aproxima-se de uma disciplina ou área de conhecimento e junto a ela realiza pequenas tarefas ou trabalhos que contribuem para o ensino, a pesquisa ou o serviço de extensão à comunidade dessa disciplina”. Diante desse contexto, o presente trabalho apresenta um relato de experiência do projeto de bolsa de inclusão digital do IFRS - Campus Osório, no qual foram realizadas monitorias em aulas de inglês do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) Letras-Inglês em uma escola estadual. A colaboração entre o projeto de bolsa e o PIBID aconteceu através da necessidade identificada pelas bolsistas de contar com auxílio em sala de aula para a utilização de Chromebooks pelos estudantes. Essa demanda tornou-se evidente durante as aulas, nas quais a proposta pedagógica incluía o uso de tecnologias como suporte ao ensino de inglês. Por não possuírem muita experiência com esses recursos, tanto as professoras quanto os alunos enfrentavam dificuldades, o que tornava o processo de ensino-aprendizagem mais lento, pois era necessário primeiro compreender o uso das tecnologias para, só então, envolver-se nas atividades propostas. Para responder a essa necessidade, o presente autor realizou monitorias em quatro turmas de sextos anos e quatro turmas de sétimos anos (em torno de 200 estudantes), totalizando doze aulas de dois períodos cada. Durante os encontros os estudantes recebiam auxílio com o uso dos Chromebooks para acessar o email institucional, utilizar o Google Drive, elaboração de textos no Google Docs e navegar em sites indicados pelas docentes para a realização das tarefas. Logo, o principal objetivo desta monitoria foi oferecer aos estudantes a oportunidade de desenvolver habilidades básicas no manuseio de computadores, consideradas competências indispensáveis para a vida educacional e profissional nos dias de hoje. Segundo a BNCC essas competências compreendem: ”[...] utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva” (Brasil, 2018, p.9). Logo, além de facilitar o contato inicial com as ferramentas digitais, a monitoria também teve como propósito promover a autonomia dos estudantes no uso das tecnologias. A intenção era que, ao adquirir maior segurança na execução de tarefas simples, como as citadas anteriormente, os alunos passassem a explorar de forma independente os recursos disponíveis, tornando-se sujeitos ativos em seu processo de aprendizagem. Para Freire (1996), autonomia corresponde ao reconhecimento do educando como sujeito ativo e crítico, capaz de construir seu próprio conhecimento, sendo dever ético do educador criar condições para que este processo ocorra de forma consciente e libertadora. Assim sendo, para atingir estes objetivos, a metodologia incluiu explicações orais para a turma, nas quais se apresentavam o passo a passo das ações necessárias em cada atividade, demonstrações práticas em tempo real e acompanhamento individualizado para sanar dúvidas específicas. Esse atendimento individualizado, de classe em classe, foi de extrema importância por conta da dificuldade e do receio dos alunos ao utilizar os computadores. Os resultados obtidos ao final do processo foram significativos, como em relação à autonomia dos estudantes no uso dos dispositivos. Segundo Freire (1996), a autonomia não é algo que se impõe ou se transmite, mas um processo construído gradualmente, no qual o educando se reconhece como sujeito de sua própria aprendizagem. O papel do educador, nesse contexto, é criar condições para que os estudantes se tornem capazes de agir com liberdade e responsabilidade, tomando decisões e exercendo a criticidade em suas ações (Freire, 1996). Isso pode ser notado durante os encontros finais, no qual grande parte dos alunos passou a utilizar os Chromebooks com mais confiança, conseguindo realizar tarefas básicas de forma independente, como logar no computador e acessar a internet. Além disso, por estarem desenvolvendo essa autonomia, começaram a ajudar uns aos outros a resolver os pequenos problemas que encontravam durante a execução das atividades, fortalecendo a colaboração entre os colegas. Para Freire (1996), a colaboração nasce do diálogo e da solidariedade, sendo um elemento essencial do processo educativo, pois permite que educandos e educadores aprendam juntos e se reconheçam como sujeitos ativos na construção coletiva do conhecimento. Tais avanços foram reconhecidos tanto pelo autor deste trabalho, monitor das aulas, quanto pelas professoras do PIBID, que relataram melhora no andamento das atividades e maior engajamento dos estudantes. Outro aspecto relevante foi a percepção do impacto social do projeto,  pois muitos estudantes não possuem computador em casa ou não contam com acesso frequente a uma internet de qualidade, realidade esta ainda comum no nosso país (CETIC.br, 2024). Neste contexto, o contato com os Chromebooks durante as aulas com monitoria representou uma oportunidade de aprendizagem tecnológica, reforçando a importância de políticas públicas que articulem educação e inclusão digital, possibilitando que as escolas sejam espaços de formação integral e de redução das desigualdades sociais. O relato apresentado demonstra que iniciativas de monitoria com foco na inclusão digital podem gerar resultados significativos mesmo em um curto período de tempo. Em suma, a experiência evidenciou que, com orientação adequada e acompanhamento, é possível desenvolver a autonomia dos estudantes no uso de ferramentas digitais e estimular o interesse na utilização das mesmas. Reforça que a inclusão digital não se limita ao fornecimento de equipamentos, mas envolve também a criação de condições pedagógicas que possibilitem o uso crítico e criativo das tecnologias.

Palavras-chave


Inclusão digital; Monitoria; Autonomia.

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