Última alteração: 22-12-2025
Resumo
A Oficina de Libras desenvolvida no IFRS – Campus Osório desde 2014, surgiu em resposta à crescente demanda da comunidade interna e externa por acessibilidade comunicativa entre surdos e ouvintes. Diante do aumento da inclusão de estudantes surdos no Litoral Norte Gaúcho, o objetivo do projeto é promover o ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) em consonância com a Lei nº 10.436/02 e o Decreto nº 5.626/05, reafirmando o compromisso institucional. As Oficinas são ofertadas anualmente nos Níveis I (iniciantes) e II (conversação), com atividades semanais presenciais abordando os principais aspectos linguísticos e culturais da pessoa surda por meio de dinâmicas interativas. Ao longo da trajetória do projeto, percebeu-se a necessidade de adaptar-se às demandas dos participantes, compostos por profissionais de diferentes áreas, sendo majoritariamente educação e saúde, e por uma faixa etária diversificada, que varia dos 15 aos 60 anos. Para isso, optou-se pela personalização de recursos pedagógicos, desenvolvendo materiais didáticos específicos que atendessem às particularidades desse público, ampliando o alcance das práticas extensionistas. Em 2016, foram produzidos vídeos didáticos dos conteúdos trabalhados nos encontros e disponibilizados por meio de um canal no YouTube para estudo. A partir de 2022, implementou-se o Ambiente Virtual de Aprendizagem Mãos Sinalizantes para complementar os encontros presenciais através da produção de vídeos em Libras e demais atividades assíncronas ampliando o estudo autônomo e proativo dos participantes. Neste ano, desenvolveu-se jogos educativos e novas dinâmicas lúdicas, pensados para se adequarem às diferentes formas de aprendizagem e habilidades dos integrantes. Além disso, experimentou-se o uso de inteligência artificial para criação de imagens de sinais em Libras, especialmente para aqueles que não possuíam registros disponíveis devido à variação linguística. Ainda, ocorreu a primeira edição do Libras no Campus, disponibilizando Oficinas introdutórias à Libras permitindo um contato inicial com essa língua e com a metodologia do projeto. Assim, tem-se como resultado que no Nível I, as 25 vagas ofertadas esgotaram-se em menos de 24 horas, o que reflete a alta procura, sendo que 38,7% dos inscritos participaram do Libras no Campus. No Nível II, observa-se que parte dos integrantes retornam para seguir praticando Libras, 46% dos atuais concluíram anteriormente esse nível e 41% realizaram o Nível I no ano passado regressaram evidenciando que o projeto se configura como espaço de ensino e acolhimento, no qual sentem-se confortáveis e motivados a permanecer. Os recentes aperfeiçoamentos dos recursos didáticos mostram-se essenciais para o ensino personalizado da Libras, pois foram desenvolvidos e adaptados às necessidades desse público diverso, tornando as práticas extensionistas mais inclusivas. O projeto não apenas cumpre o que foi proposto, mas também reforça a relevância da sua continuidade, promovendo há 11 anos acessibilidade comunicativa nos mais variados contextos sociais e educacionais.