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A influência dos heterossemânticos na aprendizagem do espanhol por falantes de português
Thiago Balbino Alves, Dania Pinto Gonçalves

Última alteração: 11-12-2025

Resumo


O estudo dos heterossemânticos entre o português e o espanhol assume papel de destaque no processo de ensino-aprendizagem dessas línguas, especialmente na formação inicial de professores. Esses falsos cognatos, vocábulos graficamente semelhantes, porém com significados distintos, costumam induzir os aprendizes a erros de compreensão e produção textual, interferindo diretamente na construção da competência comunicativa. Esse fenômeno é particularmente relevante em contextos de ensino bilíngue e no percurso formativo de licenciandos que futuramente atuarão como professores de espanhol como língua adicional. Considerando esse desafio, esta pesquisa buscou analisar como estudantes de Letras – Português e Espanhol, de uma instituição federal localizada na região metropolitana de Porto Alegre, lidam com essas armadilhas lexicais. Partimos do pressuposto de que a interlíngua constitui um sistema dinâmico em constante evolução, no qual convivem traços da língua materna e da língua-alvo. A análise atentou para a presença de marcas de transferência linguística, fossilização e supergeneralização nos textos dos participantes, compreendendo que tais fenômenos fazem parte do processo natural de aquisição de uma segunda língua e podem indicar estágios do desenvolvimento linguístico. Para tanto, foram examinados 48 textos produzidos por estudantes dos 2º, 4º, 6º e 8º semestres da graduação. A pesquisa fundamentou-se teoricamente nos aportes da linguística contrastiva e adotou uma metodologia mista, com abordagem qualitativa e quantitativa. Como instrumento de coleta de dados, aplicou-se um teste contendo 13 heterossemânticos buscando identificar quais termos geravam maior índice de erro e como esses índices variavam conforme o avanço no curso. Os dados foram categorizados, analisados estatisticamente e interpretados à luz dos conceitos de interlíngua e análise de erros. Os resultados preliminares indicaram que os estudantes dos semestres iniciais apresentaram maior vulnerabilidade aos falsos cognatos, com elevados índices de uso inadequado. Já os alunos dos semestres mais avançados, embora ainda sujeitos a ambiguidades pontuais, evidenciaram maior consciência contrastiva e domínio metalinguístico, demonstrando estratégias de autocorreção e monitoramento linguístico mais frequentes. Conclui-se que a progressão acadêmica, associada ao ensino sistemático dos heterossemânticos, contribui significativamente para a redução de erros e para o uso mais adequado do vocabulário em língua espanhola. Isso fortalece a competência lexical dos aprendizes e subsidia práticas pedagógicas mais eficazes, capazes de integrar teoria e prática. Em termos formativos, o estudo reforça a importância de inserir atividades específicas de análise contrastiva e de reflexão lexical ao longo da graduação, promovendo uma formação mais crítica, consciente e autônoma dos futuros profissionais de Letras – Português e Espanhol.

Palavras-chave


Heterossemânticos; Interlíngua; Linguística Contrastiva

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