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Reavaliando o Processo Civilizador no Rio Grande do Sul: Cartografia Municipal da Violência Letal
Taís Zwetsch, Fernando Gonçalves Gonçalves

Última alteração: 11-12-2025

Resumo



Esta pesquisa integra o recorte municipal ao projeto mais amplo que investiga os ciclos de violência e pacificação no Rio Grande do Sul à luz de Norbert Elias, articulando transformações socioeconômicas e demográficas às variações nas taxas de homicídio. Diante da indisponibilidade, nesta etapa, de indicadores consolidados do Censo 2022, o projeto principal opera com séries em painel e georreferenciamento para análises em escala municipal; é nesse ponto que se insere o presente trabalho, voltado a oferecer um diagnóstico territorial dos homicídios em nível de município. Nosso objetivo é duplo: reunir de forma clara o que a literatura recente aponta sobre os mecanismos estruturais da violência (desigualdade, vulnerabilidade urbana, juventude masculina, circulação de armas e desorganização social) e traduzir esse conhecimento em leitura cartográfica acessível para orientar decisões locais. A fonte dos dados foi o DATASUS e estimativas populacionais do IBGE. Para tanto, produzimos mapas comparáveis com o software de informações geográficas QGIS, cobrindo o período entre as décadas de 1990, 2000, 2010 e 2020 em um retrato com cinco faixas de taxa de homicídios por 100 mil habitantes (0–5; 5–10; 10–20; 20–40; 40–200), permitindo visualizar de modo claro onde a letalidade é rara, moderada ou muito elevada. A interpretação dos mapas, com atenção às vizinhanças e às transições entre classes, aponta a persistência de manchas de maior incidência na Região Metropolitana de Porto Alegre e ao longo de eixos rodoviários estratégicos, enquanto municípios menos urbanizados do interior tendem a permanecer nas classes inferiores. Observa-se, contudo, o deslocamento dessas manchas ao longo do tempo: alguns focos se deslocam, outros se adensam, e pequenas cidades próximas a centros médios passam a figurar como pontos de atenção. Esses achados dialogam com a revisão da literatura: onde as teias de interdependência social são frágeis, a desigualdade é alta e os vínculos escolares e comunitários são mais precários, a violência tende a se territorializar. Em chave eliasiana, a pacificação depende do adensamento dessas teias e do fortalecimento do autocontrole social em torno do monopólio legítimo da força. Concluímos que respostas exclusivamente repressivas são insuficientes. O caminho passa por prevenção focalizada em “hot spots”, ampliação da permanência escolar e da integração juvenil, qualificação do ambiente urbano (iluminação, mobilidade, serviços) e coordenação de políticas públicas orientada por dados. O produto cartográfico entregue serve para priorizar territórios, pactuar metas e monitorar, com transparência, os resultados das políticas de prevenção da violência.



Palavras-chave


Palavras-chave: análise espacial; sociologia da violência; violência letal no Rio Grande do Sul.

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