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INVESTIGAÇÃO SOBRE IMPACTOS DO MACHISMO E DESAFIOS DE GÊNERO EM ÁREAS STEM: PARA QUEM É O ENSINO TÉCNICO NO CÂMPUS RIO GRANDE DO IFRS?
Última alteração: 11-12-2025
Resumo
Apesar dos avanços conquistados nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), esses campos ainda permanecem como espaços predominantemente masculinos, criando ambientes de exclusão, hostilidade e desvalorização para muitas mulheres. Nos Institutos Federais, os cursos técnicos ligados às ciências exatas continuam sendo percebidos como espaços masculinos, o que reforça desigualdades de gênero e limita o acesso e a permanência de alunas. Diante disso, esta pesquisa surge da necessidade de compreender como o machismo estrutural se manifesta nos cursos técnicos de nível médio do campus Rio Grande do Instituto Federal do Rio Grande do Sul, em especial nos cursos ligados às ciências exatas, e de que forma tais práticas impactam o interesse, a permanência e a motivação das estudantes. O estudo tem como objetivos identificar formas de opressão vivenciadas pelas alunas, analisar a influência da cultura institucional e da postura docente em suas trajetórias, compreender a percepção das estudantes sobre apoio institucional e estereótipos de gênero e propor intervenções pedagógicas e institucionais para reduzir as desigualdades. A metodologia adotada combinou uma revisão bibliográfica sobre conceitos-chave com a aplicação de questionários mistos e entrevistas semiestruturadas, a partir de uma abordagem quantitativa e qualitativa. Os dados revelam, de modo recorrente, que as estudantes relatam sentir-se obrigadas a provar continuamente sua competência, experimentar desvalorização em atividades práticas e sofrer microagressões, comentários estereotipados e ausência de acolhimento institucional. A desmotivação surge como um efeito direto desse contexto, sendo agravada pela baixa representatividade de professoras nas áreas técnicas dos cursos integrados ao ensino médio, o que reforça a percepção de que o espaço ainda não é pensado como um lugar de pertencimento de mulheres. Entre as propostas de melhoria, destaca-se de forma quase unânime a necessidade de maior número de docentes mulheres, associada a campanhas inclusivas, projetos voltados para meninas, apoio psicológico, redes de escuta ativa e políticas efetivas de combate ao machismo, incluindo sanções claras para atitudes discriminatórias. Conclui-se que o ambiente investigado ainda carrega traços de uma cultura androcêntrica que compromete a permanência e a motivação das estudantes, embora existam iniciativas pontuais de acolhimento. Por fim, este trabalho evidencia lacunas institucionais e visa propor caminhos para a construção de espaços mais igualitários, reforçando a importância de políticas públicas e de práticas pedagógicas que assegurem a equidade de gênero no ensino técnico e promovam maior justiça social.
Palavras-chave
Machismo estrutural; Desigualdade de gênero; Ensino técnico.
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