Última alteração: 11-12-2025
Resumo
Este projeto visa compreender as relações afetivas que imigrantes venezuelanos em Caxias do Sul/RS mantêm com o futebol venezuelano e as novas conexões desenvolvidas com o futebol brasileiro, sobretudo em um contexto nacional marcado por forte tradição popular pelo esporte. Nas últimas décadas, a Venezuela vem passando pela maior crise sócio-econômica de sua história. Uma das consequências dessa crise é a emigração de milhões de venezuelanos para outros países em busca de novas oportunidades, onde passam a conviver com outras culturas, costumes, alimentação e rotinas de trabalho. O projeto em tela busca investigar se o futebol, enquanto tema transnacional, auxilia na socialização de imigrantes venezuelanos dentro da sociedade caxiense. Para a sua realização, foram levantados dados sobre o atual cenário futebolístico venezuelano e foi realizada uma visita ao Centro de Atendimento ao Migrante (CAM) para coleta de informações e identificação de voluntários para participarem de entrevistas. A pesquisa, de caráter qualitativo, utilizou o método de amostragem não probabilística autogerada (“bola de neve”) e questionários semiestruturados traduzidos para o espanhol, com registro em áudio das entrevistas. Até o momento, foram realizadas 10 entrevistas em profundidade. Durante as conversas, emergiram relatos valiosos sobre fatos sociais da Venezuela, proporcionando um amplo aprendizado sobre a crise humanitária que assola o país e sobre aspectos culturais do povo venezuelano. Os resultados parciais indicam que o futebol, enquanto prática e discurso, contribui para o estabelecimento de vínculos sociais entre venezuelanos e brasileiros, ainda que persistam barreiras culturais e que grande parte das interações fora do ambiente de trabalho ocorra predominantemente entre compatriotas. Observa-se também que muitos imigrantes mantêm forte vínculo afetivo com a Venezuela e manifestam o desejo de retornar ao país quando houver um contexto político e econômico mais favorável. Assim, o futebol se apresenta não apenas como um instrumento de integração e bem-estar, mas também como um espaço de negociação identitária, no qual emergem diferenças, aproximações e contradições entre os dois grupos. Espera-se que, no futuro, esta pesquisa contribua para reflexões sobre políticas de acolhimento e para o fortalecimento de uma convivência mais empática entre brasileiros e imigrantes.