Última alteração: 10-12-2025
Resumo
A monitoria dos componentes de Saúde Coletiva nos cursos do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) – Câmpus Alvorada tem como proposta qualificar o processo de ensino-aprendizagem, oferecendo suporte pedagógico por meio de auxílio e produção de materiais didáticos acessíveis. O objetivo deste trabalho é relatar a experiência de uma estudante do curso Técnico em Meio Ambiente como monitora do curso Técnico em Cuidados de Idosos Integrado ao Ensino Médio na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Proeja). O relato apresenta vivências e percepções relacionadas às temáticas de Ambiente, Saúde e Sociedade e Saúde Mental, desenvolvidas no primeiro semestre de 2025. A atuação como bolsista ocorreu principalmente no acompanhamento das aulas, elaboração de materiais didáticos e auxílio individual a estudantes, conforme suas necessidades. Entre as práticas desenvolvidas, destaca-se a organização, junto às professoras, de um Sarau Literário, realizado com três turmas do Proeja. O encontro promoveu integração entre as turmas a partir de uma roda de conversa, estimulando a expressão artística e pessoal por meio de desenhos e poesias. Essa atividade fortaleceu vínculos, favoreceu a escuta e criou um espaço acolhedor de trocas e valorização da criatividade. Na temática da saúde mental, foi exibido o documentário Holocausto Brasileiro (2016) para uma das turmas. O longa retrata a realidade do Hospital Colônia de Barbacena e expõe práticas manicomiais que marcaram a história brasileira. A discussão que se seguiu evidenciou tanto o impacto emocional das imagens quanto questionamentos sobre os modelos de atenção em saúde mental na atualidade. Muitos estudantes refletiram se ainda persistem resquícios do manicômio em instituições psiquiátricas. Nesse contexto, os Centros de Atenção Psicossocial foram debatidos como alternativa essencial à lógica manicomial, por promoverem cuidado em liberdade e acolhimento humanizado. A valorização das artes nesses espaços, como música, teatro e pintura, foi compreendida como ferramenta terapêutica de reinserção social e ressignificação da dor. Esses debates aproximaram a teoria da realidade dos estudantes, muitos dos quais convivem com situações de sofrimento psíquico em suas famílias ou comunidades. Vivenciar tais experiências ampliou meu olhar para além da dimensão técnica do curso, permitindo compreender que a saúde coletiva e mental também atravessa questões sociais, ambientais e culturais. Assim, a monitoria não se configurou apenas como atividade de apoio didático, mas como espaço de construção conjunta de conhecimento, escuta sensível e valorização das trajetórias individuais. Essa experiência reafirma a importância da monitoria como estratégia pedagógica inclusiva e transformadora, capaz de ampliar olhares, fortalecer vínculos, estimular o protagonismo estudantil e promover aprendizagens que ultrapassam o espaço acadêmico, alcançando a vida cotidiana e a formação cidadã.