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Menstruação e desigualdade escolar: impactos físicos, emocionais e estruturais em pessoas que menstruam no câmpus Rio Grande do IFRS
Última alteração: 10-12-2025
Resumo
A menstruação, experiência comum para cerca de metade da população mundial, ainda é frequentemente invisibilizada nos contextos educacionais e a escola, enquanto reflexo da sociedade, deve assumir o papel de discutir o acesso e a permanência de pessoas que menstruam, garantindo igualdade educacional. No câmpus Rio Grande do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), essa realidade se agrava diante da ausência de políticas e de infraestrutura adequadas para atender esse público. Em resposta a essa lacuna, este projeto indissociável de ensino, pesquisa e extensão, em parceria com o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade (NEPGS), busca investigar como a menstruação impacta a desigualdade educacional no câmpus. Para tanto, visamos identificar os sintomas menstruais e suas implicações no desempenho acadêmico, verificar a frequência de ausências durante o período menstrual, avaliar a adequação da infraestrutura quanto às necessidades das pessoas que menstruam e propor ações pedagógicas de sensibilização e informação para a comunidade escolar. A metodologia contempla uma revisão bibliográfica sobre a temática da pesquisa, a aplicação de um questionário misto qualitativo, entrevistas semi-estruturadas e observação de espaços de uso comum na escola. O estudo foi realizado no câmpus Rio Grande e a amostra compõe-se por estudantes voluntários que se identificam como pessoas que menstruam. Primeiramente, realizamos uma ação inicial no Dia Internacional da Dignidade Menstrual, que constituiu-se em um cine-debate e uma atividade interativa no pavilhão central, por meio de um mural com a pergunta “O que você já deixou de fazer por menstruar?”, que recebeu mais de 50 respostas. Após categorização, constatou-se que a menstruação afeta de maneira expressiva a vida pessoal e acadêmica das estudantes, prejudicando a manutenção da rotina e o rendimento escolar. Logo, foi aplicado o questionário misto, divulgado via e-mail institucional, no qual foram analisadas 58 respostas anônimas que evidenciam carências significativas, que vão desde a falta de itens básicos de higiene até situações de preconceito institucional. A etapa seguinte da pesquisa prevê entrevistas com 21 estudantes voluntárias, além da realização de uma oficina lúdica e acessível para estudantes do ensino fundamental da comunidade externa ao câmpus, destinada à conscientização sobre a menstruação e seus impactos. Espera-se que os resultados do estudo contribuam para a construção de um ambiente educacional mais inclusivo, fomentando transformações concretas na escola.
Palavras-chave
Dignidade Menstrual; Desigualdade Escolar; Educação.
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