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Representações de Porto Alegre em Camilo Mortágua, de Josué Guimarães
Última alteração: 08-12-2025
Resumo
Este estudo aborda as representações do espaço urbano de Porto Alegre na literatura. A cidade, ao ser narrada, transcende sua função geográfica, ganhando novos sentidos e se tornando um objeto de análise que expõe suas memórias, conflitos e transformações. Objetiva-se identificar como a cidade é representada literariamente na obra “Camilo Mortágua”, de Josué Guimarães, mapeando elementos que compõem o imaginário da cidade. Além disso, objetiva-se identificar as representações que formam o imaginário da cidade, analisar os elementos simbólicos apresentados na narrativa em relação ao espaço urbano e elaborar um croqui das regiões da cidade representadas literariamente. A pesquisa justifica-se por valorizar Porto Alegre como cenário literário, reconhecendo suas memórias e como o espaço urbano é vivido, lembrado e narrado. A metodologia consistiu inicialmente em uma revisão teórica sobre cidade e literatura, representações de espaços urbanos e construção de imaginário. Após foi realizada uma análise da obra selecionada buscando identificar o imaginário simbólico da cidade, validando os dados a partir do exame de elementos teóricos e do estudo da história de Porto Alegre. Os resultados parciais mostram que Porto Alegre aparece como espaço de memória e de conflitos, atravessado por desigualdades sociais e transformações urbanísticas. Na narrativa, que se passa na primeira metade do século XX, o centro aparece como espaço da cidade burguesa, dos negócios jurídicos e econômicos, onde se decidem os rumos das famílias tradicionais. A Rua da Praia, por exemplo, simboliza a modernização e o comércio, centro de circulação de mercadorias e pessoas, como um polo urbano e de consumo. Por outro lado, bairros como Cidade Baixa e Azenha são representados como espaços do proletariado e, na descrição de alguns personagens da trama, lugares perigosos. A cidade surge como um palco político, perpassado pelo receio da repressão e pela sombra da instabilidade, fruto da vigilância e das memórias de outras revoluções. Desse modo, a literatura opera uma metamorfose, elevando o espaço físico a uma dimensão simbólica que revela plenamente sensibilidades, conflitos e a dinâmica dos modos de vida.
Palavras-chave
Porto Alegre; representações urbanas; Josué Guimarães
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