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Ēkrãn to kanhrãn ja (Cultivando aprendizados): a elaboração de uma cartilha pedagógica no projeto “horta escola indígena”
Última alteração: 22-12-2025
Resumo
O presente trabalho é um recorte das ações realizadas dentro do projeto intitulado Horta Escolar Indígena, que nasceu do diálogo entre a comunidade Fág-E, da etnia Kaingang com o professor coordenador do projeto. Justifica-se pelo processo dialógico e dialético de discussão e construção conceitual e curricular de transversalidades e interdisciplinaridade de saberes entre a comunidade Fág-E e o conhecimento acadêmico presente no IFRS Campus Sertão. Entre alguns dos objetivos do projeto, destacam-se: implementar uma horta escolar junto à Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental Kynóka Caetano, na comunidade indígena Fág-E, no município de Sertão/RS; vincular os ensinamentos da cultura Kaingang com as técnicas de cultivo agroecológicas; estimular o resgate cultural, cultivando também hortaliças não convencionais e plantas medicinais típicas da cultura Kaingang; construir um espaço colaborativo para educação e integração entre a comunidade escolar indígena e o IFRS; oportunizar um ambiente para o diálogo entre o saber científico, trazido pelo IFRS, e o saber tradicional, oriundo da comunidade indígena; desenvolver uma abordagem agroecológica de forma prática e integrada, trazendo à tona temas como a sustentabilidade, nutrição, botânica e história indígena; elaborar uma cartilha pedagógica, vinculando-a às atividades desenvolvidas pela professora regente da escola. Dando enfâse ao último objetivo citado, a produção colaborativa desta cartilha surgiu a partir da proposta da elaboração de um material paradidático que aborde diversos temas, como: os conceitos de horta, solo, compostagem, adubação, alimentação e plantas alimentícias não convencionais (PANCs). Após esta produção, o material foi traduzido para as línguas tradicionais Kaingang e Guarani (em parceria com outro projeto de extensão que acontece na comunidade Mato Preto em Erebango/RS) para buscar proporcionar também uma valorização e resgate cultural e linguístico. No material, também foram propostas atividades lúdicas para serem desenvolvidas pela professora da escola, problematizando questões como a produção de alimentos pelos próprios estudantes e comunidade, a educação ambiental, a aprendizagem de termos relacionados ao tema na língua materna das comunidades indígenas, além da alimentação tradicional e saudável. Esperamos que este material ajude no desenvolvimento tanto da escrita, quanto da fala das línguas tradicionais. Para além disso, que a cartilha também auxilie nos debates promovidos e atividades desenvolvidas em sala de aula com as crianças, almejando que os assuntos tratados cheguem também até os núcleos familiares. Ao considerar a elaboração deste material e também o desenvolvimento do projeto Horta Escolar Indígena na comunidade Fág-E, percebemos a relevância que o mesmo tem representado para a comunidade indígena e escolar, tendo em vista a busca pelo resgate da língua materna e também dos hábitos tradicionais. Ressaltamos o envolvimento da bolsista do projeto no acompanhamento das atividades, na elaboração e tradução da cartilha e especialmente em seu desenvolvimento acadêmico.
Palavras-chave
Kaingang; Horta escolar; Cartilha.
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