Última alteração: 08-12-2025
Resumo
Os criptoativos, bastante populares atualmente, não dependem de uma autoridade central para validar suas transações, o que confere descentralização, transparência e, consequentemente, abertura para atividades ilícitas. Caso ocorra um crime no Rio Grande do Sul, a vítima deve dirigir-se a uma Delegacia de Polícia para registrar um Boletim de Ocorrência (BO). O registro é realizado através do software SPJ, desenvolvido pela PROCERGS, que compreende a escrita de um Histórico (resumo do delito) e de um Termo de Informações (detalhamento mais abrangente que contextualiza o fato). Além do SPJ, a Polícia Cívil (PC) usa o HiBO, um software desenvolvido no âmbito de um Acordo de Parceria entre PC e IFRS - Campus Feliz, que auxilia na redação de Históricos e Termos de Informações. Porém, até o presente momento, o HiBO abrange somente o registro de crimes envolvendo a Lei Maria da Penha. No registro de BOs envolvendo criptoativos, temos dois problemas principais. O primeiro está no fato de que a escrita do Histórico e do Termo de Informações no SPJ ocorre de forma livre, através de caixas de texto, o que confere a inexistência de um padrão. Sem fatores que determinem os elementos fundamentais nos textos, muitos registros permanecem incompletos, dificultando uma análise mais ampla do caso. O segundo problema está na complexidade do tema, pois crimes com criptoativos envolvem conhecimentos técnicos que nem sempre a força policial têm à disposição. Considerando os problemas citados, o presente trabalho tem como objetivo geral aprimorar o HiBO para que crimes envolvendo criptoativos sejam inseridos no seu escopo, auxiliando deste modo a escrita de BOs desse tipo de delito. Inicialmente, foram realizadas reuniões com o Departamento de Tecnologia da Informação Policial (DTIP) da PC para entender as normas e práticas adotadas, bem como tomar conhecimento acerca das incidências mais frequentes relacionadas aos criptoativos. Na metodologia empregada, foram criados protótipos de tela com base em perguntas fornecidas pela PC. As perguntas foram organizadas de modo a tornar eficiente e objetiva a descrição do delito, melhorando assim a experiência do usuário. Logo após, foram formulados os textos (templates) a serem gerados pelo sistema, considerando os elementos essenciais do registro e legislação. O HiBO é desenvolvido em JavaScript através do framework Vue.js, e as perguntas e templates são codificados em arquivos JSON. Para que as novas funcionalidades fossem implementadas, foram desenvolvidos componentes, algoritmos, e foram realizadas melhorias nos arquivos JSON. As sucessivas versões do sistema com novas funcionalidades foram revisadas pelos membros do grupo de pesquisa, e posteriormente, testadas e validadas pela equipe policial do DTIP, mantendo assim a conformidade com o objetivo estabelecido. Como resultado esperado, teremos um sistema que irá facilitar o trabalho policial, proporcionando um registro mais completo e padronizado nas ocorrências envolvendo criptoativos.