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Participação social e as iniciativas de produção de saúde e de vida no território: As comunidades marginalizadas de Alvorada.
Última alteração: 08-12-2025
Resumo
O presente estudo analisa a relação entre participação social, saúde, vida e resistências no município de Alvorada, no Rio Grande do Sul, destacando como determinados territórios e populações enfrentam processos de invisibilidade institucional, negligência estrutural e exclusão cidadã, ao mesmo tempo em que constroem práticas de resistência e solidariedade. A pesquisa parte da crítica à cidadania excludente no Brasil, marcada por racismo estrutural, heranças escravocratas e pela falta de acesso igualitário a direitos civis, reconhecendo que, embora Alvorada abrigue uma das mais antigas Paradas LGBTQIAPN+ do estado, desde 1997, essa visibilidade contrasta com a carência de políticas públicas específicas, coletivos organizados e espaços de acolhimento voltados à população LGBTQIAPN+. O objetivo central do trabalho é mapear itinerários de vida, cuidado e lazer dessas populações, além de compreender e sistematizar as iniciativas de produção de saúde e de vida no território, estimulando redes locais de apoio e propondo estratégias de enfrentamento às desigualdades sociais. A metodologia utilizada fundamenta-se na pesquisa-intervenção de caráter qualitativo e participativo, vinculada ao projeto “Participação social e as iniciativas de produção de saúde e de vida no território”, utilizando ferramentas como cartografia afetiva, observação participante, diários de campo e relatos orais coletados em rodas de conversa e encontros formativos. Os dados foram analisados a partir de referenciais teóricos sobre interseccionalidade, cidadania subalterna e invisibilidade institucional. Os resultados indicam que a maioria das experiências de saúde, cuidado e lazer das pessoas LGBTQIAPN+ ocorre em Porto Alegre, evidenciando um deslocamento estrutural motivado pela ausência de suporte local. Foram observadas barreiras significativas no acesso a direitos básicos, como o uso do nome social e o acesso a tecnologias de saúde, incluindo profilaxias como PEP e PrEP, além da falta de políticas voltadas a pessoas trans e travestis, especialmente no campo da saúde e da empregabilidade. Apesar dessas ausências, identificaram-se práticas de resistência cotidianas, como redes informais de apoio e a criação de espaços seguros não oficiais, que reafirmam o território como um espaço vivo de relações e produção de sentidos. Conclui-se que Alvorada é um território atravessado por desigualdades e invisibilidades, mas também por práticas de resistência que devem ser reconhecidas e fortalecidas. O estudo reforça a necessidade de políticas públicas contínuas, interseccionais e territorializadas, capazes de garantir direitos básicos, reduzir iniquidades e promover a cidadania plena da população LGBTQIAPN+ e negra, contribuindo para o fortalecimento do cuidado coletivo e o avanço social, político e educacional da comunidade.
Palavras-chave
Comunidade LGBTQIAPN+; interseccionalidade; saúde coletiva.
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