Última alteração: 22-12-2025
Resumo
O presente trabalho faz parte de uma pesquisa realizada no contexto do projeto Afrocientista. As plataformas de redes sociais, como Instagram, Twitter e TikTok, utilizam algoritmos complexos para determinar o que os usuários veem, amplificando ou suprimindo conteúdos. Embora sejam apresentados como sistemas neutros, esses algoritmos são frequentemente treinados com dados históricos que refletem e perpetuam preconceitos sociais existentes, incluindo o racismo, o que tem se chamado de racismo digital conforme apontam Taiwô Araújo (ARAÚJO,2022). Para influenciadores negros, essa arquitetura algorítmica não é neutra. Destacamos um relato da influenciadora Kyzy Melo (MELO,2025) que evidencia que ela cria um ambiente onde seu conteúdo pode ser despriorizado, sua visibilidade limitada e suas contas submetidas a moderações mais rígidas, impactando diretamente seu potencial de engajamento e de ganhos financeiros. Esta pesquisa, na perspectiva do projeto Afrocientista, busca entender como esses sistemas operam e quais são as consequências tangíveis para essa comunidade de criadores de conteúdo. A pesquisa está em fase inicial e tem como objetivos: 1) identificar diferenças estatisticamente significativas no alcance e engajamento entre influenciadores negros e brancos; 2) coletar e analisar os relatos de experiências de influenciadores negros sobre o tratamento que recebem das plataformas.A pesquisa adotará uma abordagem mista, quantitativa e qualitativa. A primeira etapa consiste em uma revisão bibliográfica para contextualizar o tema, explorando artigos, estudos e relatórios sobre racismo algorítmico, vieses em inteligência artificial. Na etapa quantitativa, será realizada uma análise de desempenho em um período de 10 semanas. Serão coletados dados públicos (curtidas, comentários, compartilhamentos e visualizações) de um grupo de 3 influenciadores negros e um grupo de 3 influenciadores brancos, todos atuantes em nichos de conteúdo semelhantes nas plataformas Instagram e TikTok. Essa análise visa identificar diferenças estatisticamente significativas no alcance e engajamento entre os dois grupos.Espera-se que esta pesquisa demonstre a existência de um racismo algorítmico estrutural nas plataformas de redes sociais, que desfavorece sistematicamente influenciadores digitais negros.Temos como hipótese, que as plataformas digitais têm reforçado as desigualdades raciais, o que limita o potencial de crescimento e a remuneração de criadores de conteúdos negros. A partir dos resultados, será possível sugerir a necessidade de políticas de transparência algorítmica e de mecanismos de auditoria externa para combater esses vieses, garantindo que as plataformas se tornem espaços mais justos e inclusivos para todos os criadores de conteúdo.