Última alteração: 08-12-2025
Resumo
A família Passifloraceae compreende diversas espécies nativas do Brasil, muitas com potencial alimentício, ornamental e medicinal. Dentre elas, encontra-se Passiflora elegans Mast. (maracujá-de-estalo), espécie ameaçada de extinção e pouco estudada quanto às características morfológicas de interesse. Assim, este estudo teve como objetivo avaliar a biometria de frutos e sementes de P. elegans. A coleta dos frutos ocorreu em Getúlio Vargas (RS), onde foram coletados 50 frutos, em 10 plantas. Foram mensurados comprimento e diâmetro, em milímetros (mm), e massa total do fruto, massa do pericarpo, da polpa com sementes, da polpa e das sementes, em gramas (g), bem como foi realizada a contagem de sementes por fruto. Também foram analisadas 100 sementes (duas por fruto), sendo avaliados o comprimento, a largura e a espessura da semente, em milímetros (mm), e a massa individual das sementes, em gramas (g). Os resultados foram analisados por meio de estatísticas descritivas (média ± intervalo de confiança, com α = 0,05). Os frutos apresentaram, em média, comprimento de 28,3 ± 2,6 mm, diâmetro de 29,3 ± 3,2 mm e massa total de 8,6 ± 2,7 g, podendo ser classificados como de pequeno porte, se comparados a outras espécies de Passiflora, como P. edulis Sims, que possui frutos que ultrapassam 180 g. A massa média do pericarpo foi de 2,8 ± 0,9 g, da polpa com sementes 5,8 ± 2,0 g e da polpa de 5,1 ± 1,8 g. A massa média das sementes por fruto foi de 0,7 ± 0,2 g e o número de sementes por fruto variou de 17 a 112, com média de 66 ± 22,9, valor este próximo ao registrado em outras espécies silvestres do gênero. As sementes apresentaram, em média, comprimento de 4,29 ± 0,04 mm, largura de 2,95 ± 0,03 mm e espessura de 1,69 ± 0,02 mm, e sua massa variou de 0,1 a 1,2 g, com média de 0,7 g. Esses valores são semelhantes aos encontrados em P. foetida L. e P. cincinnata Mast., indicando padrões biométricos comuns em espécies não domesticadas. Os resultados mostraram grande variação nos parâmetros avaliados, possivelmente por ser uma espécie não domesticada. Ademais, também pode indicar alta variabilidade genética intraespecífica, característica de populações silvestres, podendo ser explorada em programas de melhoramento. Assim, P. elegans apresenta grande potencial de uso como pequeno fruto.