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Tráfico e escravidão de africanos através dos registros de batismo (Rio Grande do Sul, 1780-1850)
Emilli dos Santos da Silva, Marcelo Santos Matheus

Última alteração: 08-12-2025

Resumo


Pretende-se com a pesquisa superar o estigma associado à falta de relevância da escravidão no Rio Grande do Sul para o seu desenvolvimento social e econômico, tal qual acredita-se que teve no restante do Brasil. Entretanto, essa questão vem se consolidando como objeto deestudo entre os historiadores, sinalizando assim a importância da exploração da mão de obra escravizada para a ascensão econômica da região sul-rio-grandense no período colonial/imperial. Neste caso, acata-se a análise do tráfico transatlântico de cativos entre 1780-1850 devido ao grande número de escravizados levados à área portuária de Rio Grande neste período. Desta forma, considerando a ausência de uma documentação específica para a migração de escravizados, utiliza-se os registros de batismo daqueles que foram batizados nas capelas gaúchas. Realizando assim, uma análise serial, no qual os dados são alocados em uma planilha elaborada no Microsoft Excel, tendo em vista o nome do batizado, origem – africano ou nascido no Brasil -, nação, classificação etária, sexo e por fim, o nome do senhor. Como resultados parciais, dentre os mais de 40 mil registros de batismos fichados, podemos indicar que a maioria dos africanos escravizados que vieram para o RS eram da macro-cultura Banto (Angolas, Congos, Benguelas, etc.), embora a presença de Minas (oriundos do Golfo do Benin) fosse significativa. Em suma acredita-se que o projeto esteja alinhado com a Lei 10.639 de janeiro de 2003 no que se trata do estudo da história dos africanos, em virtude da desconstrução da concepção de que o estado foi fortalecido pelos imigrantes europeus, quando, no entanto, deu-se pela exploração da mão de obra dos africanos e de seus descentes. Por fim, intenta-se que ele ajude a explicar os modos de resistência e (re)organização social eeconômica destes que foram arrancados de suas terras obrigados a residir no sul do Brasil.

Palavras-chave


Tráfico; Batismo; Rio Grande do Sul

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