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Charles Taylor e a formação do self moderno
Djulia Vitória Greiner, Rogerio Foschiera

Última alteração: 08-12-2025

Resumo


O presente trabalho irá abordar como  o conceito de self — ou identidade pessoal — foi se transformando ao longo da história, especialmente a partir da modernidade ocidental. O filósofo canadense Charles Taylor é uma das principais referências no debate contemporâneo sobre identidade, moralidade e subjetividade. Em sua obra As Fontes do Self: A Construção da Identidade Moderna, publicada em 1989, Taylor analisa de forma profunda como o self se formou na identidade moderna. Este trabalho apresenta um estudo teórico sobre o pensamento de Taylor, com o objetivo de compreender como o self moderno se constitui a partir de fontes morais, culturais e históricas que moldam nosso senso de identidade e pertencimento. A pesquisa foi desenvolvida por meio de levantamento bibliográfico qualitativo, com foco principal na obra As Fontes do Self, complementada por textos secundários de intérpretes do autor e artigos acadêmicos. A metodologia adotada consistiu na leitura interpretativa e crítica de trechos selecionados da obra, buscando relacioná-los com contextos históricos e filosóficos relevantes. Além disso, foram consideradas reflexões sobre a atualidade do pensamento de Taylor frente às questões individuais do mundo contemporâneo. O principal objetivo do estudo foi compreender como Charles Taylor define o self moderno e quais tradições influenciaram sua formação. Além disso, procurou-se identificar as principais fontes morais destacadas pelo autor, discutir sua crítica ao individualismo moderno e refletir sobre a importância do reconhecimento na construção da identidade. A partir do estudo realizado, foi possível perceber que, para Taylor, o self não é uma entidade isolada, mas sim profundamente enraizada em valores, práticas culturais e linguagens compartilhadas. Ele destaca três correntes fundamentais que influenciaram a identidade moderna: a moral cristã com sua ênfase na interioridade, a racionalidade iluminista e o ideal romântico de expressão individual. Embora a modernidade tenha promovido uma valorização da autonomia pessoal, Taylor afirma que a identidade continua a depender de marcos de sentido coletivos, os quais fornecem direção e propósito à vida individual. Os resultados da pesquisa indicam que a linguagem tem papel essencial na formação do self, pois é através dela que articulamos valores, narrativas e sentidos que estruturam nossa identidade. Além disso, o reconhecimento do outro apresenta-se como elemento central na teoria de Taylor, sendo condição necessária para a realização de um self autêntico. Sem reconhecimento mútuo, a dignidade e a autonomia individual tornam-se frágeis e incompletas. A conclusão a que se chega é que Charles Taylor oferece uma alternativa crítica ao individualismo extremo, propondo uma visão de identidade que une autenticidade e responsabilidade moral. Em um mundo cada vez mais fragmentado e marcado por crises de pertencimento, seu pensamento convida à construção de uma identidade mais ética, enraizada em valores significativos e comprometida com o reconhecimento do outro.

Palavras-chave


Charles Taylor; Self; Reconhecimento.

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