Portal de Eventos do IFRS, II Mostra de Ensino,Pesquisa e Extensão de Veranópolis (II MEPE)

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O processo de escolarização de nonas e nonos do município de Veranópolis – RS
Mônica Possamai Carvalho, Mateus Magnun Antunes Batista, Alcione Moraes Jacques, Daniele dos Santos Fontoura, Francieli Fuchina, Michele Dóris Castro, Leandro Käfer Rosa, Marcos Vinícios Luft, Sandra Beatriz Rathke

Última alteração: 16-10-2018

Resumo


Veranópolis é conhecida como Terra da Longevidade e possui o Grupo de Convivência da Longevidade com 250 idosos associados e o Grupo Conviver que integra 25 idosas em situação de vulnerabilidade social. Como forma de contribuir para a preservação das memórias, este projeto teve como objetivo a elaboração de um roteiro, para posterior produção de um documentário, que visa retratar a trajetória escolar de idosos do município. A metodologia foi fundamentada em pesquisa documental e entrevista narrativa, com 24 idosas, entre 60 a 80 anos, no período compreendido entre 1940 a 1960. A participação foi aleatória e voluntária, sendo que nenhum idoso teve interesse em participar. A escolarização foi baseada em um processo de ensino-aprendizagem multisseriada e orientada no método tradicional de ensino, a memorização. As escolas rurais, localizadas nas Capelas, tinham como prática de ensino aulas ministradas por um único professor para alunos de diferentes idades e níveis educacionais. Para a maioria das idosas, suas memórias foram marcadas por lembranças de um tempo em que podiam brincar e fazer amizades. A escola representava o momento de socialização e foi significativa para o letramento e o aprendizado de um novo idioma, o português. Por outro lado, valores culturais influenciaram o modo de viver e se relacionar em sociedade. A religiosidade, a obediência, o bom comportamento e o respeito constituíram princípios valorizados nas escolas. A formação cristã, por exemplo, foi introduzida pelos Capuchinhos, os irmãos Maristas e as irmãs de São José. Sob o ponto de vista de referência familiar, priorizava-se o trabalho na terra. As idosas, quando crianças, precisavam se dividir entre atividades do campo e tarefas escolares, o que resultou em baixo nível de escolaridade. Mesmo com a implementação do projeto de Brizola (1959-1963) para expansão do ensino público e construção de escolas, as conhecidas brizoletas, constatou-se que algumas idosas não foram alfabetizadas. Diante disso, fatores como a situação socioeconômica contribuíram para o analfabetismo, uma vez que, idosas precisaram trabalhar em casas de família desde os sete anos de idade. As diferenças étnicas e sociais ainda revelaram o desafio de lidar com o sentimento de exclusão no ambiente escolar e na sociedade. No entanto, observa-se que oportunizar às idosas que compartilhem suas memórias proporciona um sentido de valorização. Nessa perspectiva, espera-se que o documentário constitua um importante documento histórico a ser apropriado pela sociedade, permitindo a ressignificação identitária dos sujeitos protagonistas.